Me PD que eu dou

PD, do Pequenos Delitos, pediu.

Eu conto. O meme é “Eu já”.

Eu já atravessei o Atlântico por causa de uma paixão.
Já criei um monte de pseudônimos – um para cada eu e todos eu.
Já fingi que gozava.
Já fingi que não gozava – só para gozar mais vezes.
Já fingi que não sabia trepar – só para o parceiro achar que estava me ensinando.
Já seduzi um monte de homens ao mesmo tempo – e não dei para nenhum deles.
Já dei para um monte de homens que eu não tinha seduzido.
Já saí para um encontro nua sob uma capa de chuva.
Já entrei em ônibus cheio de vestido comprido e sem calcinha.
Já pedi ao namorado que fotografasse minha buceta e a enviasse ao PD.
Já ejaculei como uma atriz pornô de “squirting”.
Já entrei num “corredor polonês” de beijos e amassos (e adoraria entrar em outro).
Já trepei com um professor, já namorei um professor, já me casei com um professor – o melhor de tudo foi o primeiro.
Embriagada de tesão, já prometi coisas que não pretendia cumprir.
Já menti ou omiti descaradamente quando respondia a listas como essa …

E convido:

Many, do Em que posso lhe servir?

Fernando, do Meu outro eu

Pimenta Chipotle, do Pimenteiro

da Leftlovers

Malbec na boceta

A saudade deixa a carne perturbada e intensa – e a alma segue junto abanando o rabo.

É nesse estado que ela chega à aula de vinhos: incompleta.

É dia de provar argentinos. Cheiros do Sul. Um aroma de couro e leite se desprende das taças. Pelica. O cheiro da barriga de um bicho novo, o cheiro de uma barriga macia numa manhã de inverno.

Agora o ar é todo feito de rubis, e o nariz dela fareja como uma boca faminta. Gira a taça, tenta decifrar mais aromas quando um cheiro completamente estrangeiro invade a área. Axilas aquecidas numa tarde de outono. Folhas douradas. Ela olha para o lado e percebe que a penugem do braço do companheiro de mesa é vermelha. Ele é novo e ruivo. Ele parece um vinho bom.

E vem do corpo dele o cheiro que ela sente.

Líquida e certa

A paixão é um rio que flui em mim. É água que não se detém diante de obstáculo nenhum. Contorna, passa por cima, desvia – mas segue.

É a paixão que abre meu corpo como se fosse a sua casa.

Você chega e ocupa cada um dos cômodos – como uma enchente.

Quando parte, me deixa líquida.

A paixão é o rio que escorre pelas minhas pernas.

Pegada II

- Ainda quer sair comigo?

Digo que não. Perdi a vontade.

Ele ri e come minha boca como se ela fosse um doce. Solta. Olha nos olhos.

Me desvencilho. Vai se catar, pirralho. Sem tirar o ar zombeteiro do rosto, me puxa pela cintura. Tem a mão firme e quente. Me beija de novo.

Conduz minha mão para dentro da calça larga e toco um pau duríssimo e grosso como meu pulso. Nem assim, pirralho. Perdi a vontade.

Dou as costas para ir embora. Sinto apenas um puxão no cós da calça e o pau, que agora conheço, apertado contra mim.

- Quer sair comigo? – pergunta o ar quente na minha orelha, perguntam os dentes que roçam minha nuca, pergunta a mão que me segura com firmeza.

Repito que não. Mas o corpo diz o contrário. E empina a bunda na direção do pau que se aproxima.

Vou dar para o primeiro que aparecer

A idéia me assalta no elevador e antes de chegar ao térreo já tirei a calcinha e o sutiã. “Vou dar para o primeiro que aparecer”. Mas quando piso na calçada reconsidero. O primeiro que me apareceu era feinho de doer. “Vou dar para o primeiro que me deixar com tesão”, corrigi. E prossegui o rumo dona-de-casa. Banco (uns caixas flácidos …), verdureiro (com uma barrigona peluda …) supermercado. Supermercado. Estava ali, empilhando caixotes de frutas. Cheiro de suor misturado com caju. Pele brilhosa como a glande de uma lichia aberta. A boca rosada feito uma goiaba recém-partida. Parei no meio do corredor e busquei o pau com os olhos. Sem nenhum disfarce, abri a boca, semi-cerrei as pálpebras, respirei fundo e mergulhei os olhos entre as pernas do homem que empilhava caixotes à minha frente.

Nem precisei de muito mais. O pau respondeu na hora e o volume sob o calça foi mais rápido e forte do que o susto. E antes que ele pensasse no emprego que poderia perder, mergulhou no espaço que minha saia levantada apresentou.

Foi num corredor apinhado de caixotes de verduras. Foi de pé, foi no verão, foi em meio ao cheiro estonteante de frutas quentes. Saí dali com minha saia longa agora manchada, camiseta básica, chinelo e uma sacola de compras. Botei sutiã e calcinha no elevador. Cheguei em casa tão composta e feliz.

Dupla penetração

O amante emudece quando me dirijo ao palco. Não esperava por isto … A stripper me cede seu lugar e fixo meus olhos nos dele. Dá para perceber suas pupilas dilatadas. Dá para ver que ele não acreditava que eu fosse capaz. Quase dá para ouvir a disparada do sangue em suas veias enquanto tiro cada peça de roupa até ficar completamente nua.

Vejo tudo, quase tudo … só não vejo o estranho que se levanta no meio da platéia e sobe pelos fundos do palco. Mas a descarga de adrenalina contrai o rosto do amante e indica que alguma coisa está prestes a acontecer.

Sou surpreendida pelas mãos do estranho nos meus quadris. Mal me recobro, empino a bunda, abro as pernas, firmo o foco. Agora vejo bem: o rosto do amante é uma corda de pura tensão, um tiro preso no cano da arma, um susto suspenso no décimo andar. A boca entreaberta, os dedos crispados, vai saltar sobre meu corpo, vai impedir o estranho de continuar me tocando desse jeito.

Vai?

Não.

O estranho me abre com os polegares e penetra por trás sem que o amante esboce sinal de impedimento. Sei que, da primeira fila, tem uma visão privilegiada. Sua pupila dilatada está fixada no pau grosso que me come com segurança e vagar.

O que me fode mais fundo? O pau teso do estranho ou o olhar duro do amante?

Duplamente penetrada, gozo e quase desmaio. Entorpecida, deixo que as pernas se dobrem.

O estranho me carrega nos braços e deposita, delicadamente, no colo do amante.

Os dois sorriem  …

Calcinha cravada

Gosta de coisas exatas. A unha na carne, o poliéster da calcinha, o elástico preso no canto do grelo, a renda barata enfiada na bunda.

Tem um corpo abandonado ao sono sobre a cama. No meio das pernas abertas, pode-se ver o tecido transformado em fio, enfiado nas dobras, pressionando a carne.

A mulher dorme, o homem observa.

E eu juro que ela sonha com esses olhos cravados na carne. Como elásticos, como rendas vagabundas. Porque nada tem mais força do que o olhar do amante quando se enterra nas dobras do nosso corpo.

Buceta ou Boceta?

A boceta é portuguesa, gorducha e rodeada de pêlos negros e macios. A boceta é maternal e devoradora, forte o suficiente para povoar a costa brasileira engolindo espadas lusitanas – aquelas que, não importa o tamanho, são feitas do aço mais tesudo e disposto. A boceta combina maravilhosamente com a espada do conquistador.

A buceta é brasileira, multicultural e vira-latas. Buceta não tem pedigri, tem fome. Não quer povoar, não quer ser imperatriz, não quer expandir. A buceta combina maravilhosamente com o passaralho desenhado no banheiro do botequim (cujo dono é português, com certeza …)

Agora me diz, qual é a mulher que não alterna sua boceta com sua buceta? Que não é maternal e safada? Que não é perigosa e devoradora? Que não faz filho e poesia?

A boca é a mesma, só muda a grafia.

Coma-me

Plataforma: o salto agulha. Rede de proteção: a meia preta. Cinto de segurança: a liga de renda. Calcinha: nenhuma. Saia curta, mas nem tanto. Discreta. Precisa. Piso na noite e deixo que ela me conduza.

Aqui onde tudo é luz, ritmo e corpo, o primeiro homem me beija. Tem a boca suave. Correspondo, mas caio fora. Em seguida, é a moça magra de batom vermelho. Mais suave ainda. Mordo seus lábios e caio fora. Assim vou, no rodopio da pista de dança, de boca em boca, mão em mão. Alguém chega por trás e descobre que estou sem calcinha. Tem dedos fortes e nodosos. Abro as pernas para facilitar e sinto dois dedos entrando de uma só vez na minha boceta. Quero me virar e beijar a boca dos dedos nodosos, mas ele me segura firme na posição e vai me conduzindo para o fundo da sala sem tirar os dedos. Quando chegamos onde é mais escuro, me imprensa contra uma pilastra, suspende minha saia põe minhas próprias mãos nos meus quadris e sussurra no meu ouvido “segunda essa bunda bem aberta”.

Prince canta Irresistible Bitch e sei que vou gozar alucinadamente antes de ser novamente jogada na pista.

Pegada

Dou uma lambida no canto da boca carnuda e digo que vou embora. Viro de costas e me dirijo para a porta. Ele me puxa pelo cós da calça, aperta um pau duríssimo contra a minha bunda e suspira quente na minha orelha.

Fico.